Antes de contratar
Como escolher um fornecedor de software e IA: 12 perguntas.
Peça para ver funcionando com dados no formato dos seus, entenda onde ficam os dados, quem é dono do código e como é a saída. Um bom fornecedor entrega por etapas, deixa tudo escrito em contrato e diz quando o projeto não faz sentido.
As 12 perguntas
- Posso ver funcionando antes de contratar? Com dados fictícios no formato dos meus, não com uma apresentação genérica.
- Onde ficam os dados, e quem acessa? Servidor, país, empresa de hospedagem, perfis de acesso.
- O código e os dados são meus? A lei do software (Lei 9.609/1998) trata da titularidade; deixe a propriedade escrita no contrato.
- Como é a saída? Formato da exportação, prazo, custo e ajuda na transição.
- Quem é o operador pela LGPD? O contrato diz o que o fornecedor pode fazer com os dados (arts. 37 a 39).
- A IA usa os meus dados para treinar algo? A resposta precisa estar por escrito.
- Qual é o teto de gasto com uso de modelos de IA? E o que acontece quando ele se aproxima?
- Como são as entregas? Etapas, prazos, critério de aceite de cada uma.
- Quem dá suporte, em que prazo? Canais, horários, prazos de resposta no contrato.
- Como são as cópias de segurança? Frequência, onde ficam e quando foi o último teste de restauração.
- Como é o acesso? Segundo fator para perfis administrativos e registro de cada acesso.
- E se o fornecedor deixar de existir? Código-fonte entregue ou em depósito, documentação e dados exportáveis.
Sinais de alerta
- Promessa de «uma IA que faz tudo», sem processo definido.
- Recusa em mostrar funcionando antes do contrato.
- Contrato sem cláusula de saída, ou com exportação de dados cobrada à parte sem limite.
- Nenhuma palavra sobre LGPD, cópias ou segundo fator.
- Cobrança por uso de IA sem teto nem relatório.
- Projeto inteiro de uma vez, com a primeira entrega só no fim.
O que o contrato deve ter
- Escopo por etapa e critério de aceite.
- Prazos de suporte e de correção.
- Confidencialidade e acordo de tratamento de dados (LGPD).
- Propriedade do código e dos dados.
- Saída: exportação, devolução e apagamento.
- Segurança mínima: cópias, acesso, registro, comunicação de incidentes.
Perguntas frequentes
Fornecedor grande ou pequeno?
O tamanho importa menos do que as respostas às 12 perguntas. Um fornecedor grande pode ser a escolha certa quando a política interna exige; um pequeno costuma ser mais próximo da operação. Nos dois casos, peça saída limpa por escrito.
Software pronto ou sob medida?
Pronto, quando o processo é igual ao de muitas empresas e o produto atende bem. Sob medida, quando o processo é o que diferencia a empresa ou quando os prontos obrigam a equipe a trabalhar contra o sistema. Muitas vezes a resposta é integrar os dois.
O que é depósito de código-fonte?
É deixar uma cópia atualizada do código com um terceiro, liberada ao cliente se o fornecedor deixar de atender. Entregar o código ao próprio cliente resolve a mesma questão.
Fontes e atualizações
- Lei nº 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Planalto: www.planalto.gov.br
- Lei nº 9.609/1998, proteção do programa de computador, Planalto: www.planalto.gov.br
- ISO/IEC 27001:2022: sistema de gestão da segurança da informação: www.iso.org
- CERT.br: Cartilha de Segurança para Internet: cartilha.cert.br
Fontes consultadas em 7 de novembro de 2026. Atualizações: 7 de novembro de 2026, primeira versão. Texto da equipe Kuca | Tech; não substitui parecer jurídico, contábil ou técnico para o seu caso.